Quem sou eu ...

Balançado demais

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

Em resumo

Ser fúria e ser paz/ Ser sexo e ser amor/ Ser tudo e ser todo/ Sou eu assim








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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Reservados para a violência



Estou com vontade de descontar todo meu descontentamento urbano no meu vizinho.

Hoje, mais uma vez, nos topamos no portão do edifício e ele literalmente me virou as costas. Mas não foi pelas dezenas de vezes que ele faz isto comigo que eu fico chateado com a cidade grande.

Hoje ouvi o pesar de uma senhora que foi atropelada, em frente a seu trabalho em uma rua residencial e movimentada da cidade. “Tantos vizinhos ao redor e somente um motoboy parou para me socorrer”, dizia ela desapontada.

Hoje também foi dia de ver meu amigo contribuir com um rapaz na rua que, aparentemente, foi assaltado. Eu o poupei das explicações, apenas olhei nos olhos do moço e quase implorei que esta história realmente fosse sincera.

Realmente está cada vez mais violento viver aqui. O pior é que todos continuam agindo como se apenas sua vida importasse, como se não fizéssemos parte do mesmo espaço, da mesma comunidade.

Enfim... eu não posso me desapontar com meu vizinho, ele tem suas razões pra ser assim. Eu só preciso alimentar diariamente as razões para ser gentil e ter calma nesta cidade grande.


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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Não mereço, mas me ame




“Ama-me quando eu menos mereço, pois é quando eu mais preciso”

O facebook ficou cheio de muitas plaquinhas nas proximidades do dia dos namorados. Os não enamorados ou desnamorados compartilharam mensagens de aluga-se, ama-me, olha-me, etc, etc...

Eu precisei fazer de conta que este dia não existe, não estou merecendo ser amado. Foi por isto que a frase acima chamou tanta atenção.

Sempre digo às minhas amigas e amigos que somos uma geração que faz test drive para a evolução da sociedade. Afinal, todos reclamam que está difícil namorar, encontrar alguém especial. Reclamam que todos só querem ficar, não querem nada sério e por aí vai.

Nós temos menos paciência pra engolir sapos.

Minha mãe, por exemplo, vive reclamando da relação com meu pai. Eu já sugeri de forma muito traquila: peça o divórcio mãe! Ela reagiu de forma surpresa, é claro. A maioria dos nossos pais foram educados a casar e permanecer até o fim da vida, mesmo vivendo um matrimônio infeliz.

Nossa geração não! O buraco é mais embaixo. Não me faz feliz, não me realiza na cama, não me ama de verdade, não contribui com as despesas em casa, então TCHAU!

A gente acaba ficando meio infeliz sozinho, um pouco melhor do que mau acompanhado. A formação cultural se choca com a realidade de uma nova forma de ser.

Juventude prolongada, morando em casa. Prioridade de formação, de inserção no mercado de trabalho. Sexo mais fácil e culpa por não ter compromisso. Quanta coisa passa nestas nossas cabeças!!!

Eu não mereço, mas me ame por favor rsrsrs.

Curitiba, junho de 2011


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domingo, 17 de julho de 2011

Volto



Achei que estava indo, mas voltei para trás
Aonde eu estou sozinho, seguindo, sem nada
Ainda bem que eu volto mais forte, mais esperto
Porque assim eu acho graça e me solto, pra encontrar outro afeto


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terça-feira, 5 de julho de 2011

Embruteço na cidade!



“Gentileza gera gentileza” é uma das frases que mais gosto. Ela se tornou um mantra, principalmente agora que me mudei para a cidade grande.

Aqui tem sempre um ser hostil capaz de causar aquela queimação no estômago. Por isso, agora eu sempre saio de casa respirando fundo e repetindo em voz baixa... “gentileza gera gentileza, gentileza gera gentileza...”.

Falta de gentileza não combina com o desenvolvimento econômico, nem com as ruas limpas, nem com as flores deste lugar. Semana passada quase fui atropelado por um semáforo,  isto mesmo, um sinaleiro de trânsito. Um ônibus precisou fazer a curva com precisão, para não atrapalhar os carros que vinham atrás. Resultado: a traseira dele enroscou na barra do semáforo e eu, pobre pedestre, fui me afastando desesperado com aquela luz verde vindo em minha direção. Que medo daquele sinal!

E por falar em pressa, hoje fui invadido por uma adolescente na porta de um banco. Parecia um enxame de abelhas. Ela veio rápida e ousada, enquanto eu saia tranquilo da agência. Abri a porta, ainda na intensão de oferecer passagem, mas não houve tempo, ela passou por baixo dos meus braços, driblando todo meu impulso de gentileza. “Por favor né moça!”, eu disse alto a ela, decepcionado com aquela atitude nada gentil.

O pior de tudo é que a arrogância também gera arrogância. A gente vai se munindo de proteção e defesa, agindo instintivamente pra sobreviver na selva de pedra. Eu, por exemplo, quando vou em alguma loja, não chego mais todo educadinho, dizendo com licença e por favor. Eu sei que, na maioria das vezes não adianta, então, ja chego me imponho. Fecho a cara, aumento o tom de voz e deixo ela bem grave... EU PRECISO DISSO, DISSO E DAQUILO!!! ... de vez em quando sou surpreendido com sorrisos e boa educação, aí saio muito envergonhado do lugar.

Nas ruas estou influenciado pelas estratégias de um amigo, outro novato na cidade grande. Ele não desvia mais das pessoas e também não pede mais desculpas se trompar em alguém, estes dias uma senhora até caiu no jardim da rua 15, quando veio toda acelerada se deparou com ele. Daqui a pouco os pedestres vão precisar de treinamento para andar no centro, carteira do Detran com categoria e foto.

Meus vizinhos também experimentam uma nova versão do novo morador que veio do interior. O vizinho de baixo deve ter ouvido o meu desafiador “BOA NOITEEEE”, depois que ele fingiu não me ver e fechou a porta de seu apartamento na minha cara.

Estou preocupado comigo... “Gentileza gera gentileza... gentileza gera gentileza... gentileza gera gentileza”.
Sinto falta daquelas pessoas fofoqueiras na beira das janelas, cuidando a vida alheia. Poderia ter várias destas por aqui. De repente, assim, os moradores deste lugar iam ficar mais atentos, cuidar melhor de suas atitudes para não ficarem mau falados na boca do povo.  

Estou lutando para não me embrutecer, para não regredir na evolução humana.
“Gentileza gera gentileza... gentileza gera gentileza...”


Elânio Rodrigues
Curitiba, 05 de julho de 2011 – 9:48.


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